Operação no DF e em 5 estados mira bets que movimentaram milhões com empresas de fachada
Operação no DF e em 5 estados mira bets que movimentaram milhões com empresas de fachada Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal, deflagrada na ...
Operação no DF e em 5 estados mira bets que movimentaram milhões com empresas de fachada Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal, deflagrada na manhã desta quinta-feira (5), mira bets ilegais que usaram empresas de fachada para movimentar cerca de R$ 739 milhões. A ação acontece no DF e cinco estados. Segundo a polícia, o dinheiro depositado nas bets era direcionado às empresas de fachada, que concentravam os valores e os redistribuíam entre pessoas, empresas e instituições. A investigação começou há cinco meses, após um alerta da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou bets sem autorização federal, mesmo antes da Medida Provisória que proíbe esse tipo de aposta no Brasil. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp. Segundo a Polícia Civil, a operação cumpre 52 mandados de busca e apreensão e de medidas de bloqueio patrimonial. Não há mandados de prisão. No Distrito Federal, a polícia faz buscas em Sobradinho, Planaltina e Ceilândia. Na capital de São Paulo, as buscas acontecem na região da Faria Lima, Consolação e Berrini. Em Goiás, as diligências ocorrem no Setor Bueno e no Parque Oeste Industrial, em Goiânia, e nos municípios de Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás. No Paraná, as buscas ocorrem Curitiba, nos bairros Rebouças, Batel e Bela Vista do Paraíso. No Ceará, a diligência é realizada em um hotel de Fortaleza. Também há diligências no Rio Grande do Norte, na capital Natal. As identidades dos suspeitos de envolvimento no esquema não foram divulgadas. Eles podem responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Como bets usavam empresas de fachada Polícia Civil faz operação contra bets ilegais no DF e 5 estados reprodução Segundo a investigação, os pagamentos feitos para a plataforma de apostas eram direcionados a empresas com atividades declaradas, sem relação com apostas. Em Sobradinho (DF), por exemplo, o dinheiro era enviado para uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô. Nos locais para onde o dinheiro era direcionado, os policiais encontraram imóveis vazios e outros estabelecimentos comerciais. "As apurações apontam o uso de dezenas de empresas de fachada para receber os pagamentos, concentrar os valores e redistribuí-los entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive com conversão em criptoativos", diz a polícia. Empresas investigadas A investigação também alcança a fintech A55 Sociedade de Crédito, de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto. Nas simulações realizadas pelo Ministério da Fazenda, as cobranças por pix dos sites investigados levavam a inúmeras contas de empresas de fachada mantidas nessa fintech. A fintech também mantinha contas de outras empresas do esquema, com rodízio de procuradores. Em nota (veja íntegra abaixo), a A55 Sociedade de crédito afirmou que vai colaborar com as investigações. A empresa ressalta que as buscas realizadas não significam, por si só, que irregularidades tenham sido comprovadas e diz que eventuais serviços prestados a investigados devem ser analisados individualmente. A instituição também reforça que é regulada e supervisionada pelo Banco Central e que permanece à disposição das autoridades e da imprensa. "Informações financeiras relativas à instituição e a empresas do mesmo grupo indicam movimentação de cerca de R$ 1 bilhão, incluindo repasses a empresa investigada e pagamentos relacionados a casas de apostas sem autorização. Em 30 de julho de 2026, o Banco Central divulgou a intenção de cancelar a autorização de funcionamento desta fintech", diz a polícia civil. Bloqueio de contas dos investigados A polícia informou que o Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, até o limite global de R$ 3,483 bilhões, e a indisponibilidade de bens mantidos em instituições supervisionadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A decisão também determinou: suspensão das inscrições no CNPJ e dos registros de 100 empresas e empresários individuais; proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias; afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas. Os veículos dos investigados localizados durante as buscas também poderão ser alvo de sequestrado judicial. O que diz a A55 Sociedade de Crédito Direto S.A. "A A55 Sociedade de Crédito Direto S.A., em atenção às notícias sobre a Operação Azzardo, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, vem prestar esclarecimentos à imprensa e à sociedade. A A55 recebe os fatos com a seriedade que exigem e manifesta pleno respeito à atuação das autoridades e à regular apuração das circunstâncias investigadas. A instituição mantém postura de permanente disponibilidade e colaboração, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos, atender às requisições legalmente formuladas e fornecer os registros e documentos necessários à elucidação dos fatos, observados os deveres legais de sigilo e de proteção de dados. A A55 reconhece a importância das investigações para o esclarecimento dos fatos e está à disposição para contribuir com esse trabalho. As buscas realizadas fazem parte da apuração e não significam, por si só, que tenha sido comprovada alguma irregularidade ou definida a responsabilidade da instituição ou das pessoas envolvidas. É fundamental que as conclusões sejam baseadas em informações verificadas e na análise das circunstâncias de cada caso, assegurando aos envolvidos a oportunidade de prestar seus esclarecimentos. A A55 é uma sociedade de crédito direto, sujeita à regulação e à supervisão do Banco Central do Brasil. A eventual prestação de serviços financeiros a pessoas ou empresas investigadas deve ser examinada à luz das operações concretamente realizadas, dos registros disponíveis e das condutas atribuídas a cada envolvido, sem antecipação de conclusões sobre os fatos em apuração. Os esclarecimentos específicos sobre o objeto da investigação serão prestados pelos meios adequados, a partir do acesso aos elementos pertinentes e respeitados os limites legais de divulgação. A A55 reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a apuração responsável dos fatos, permanecendo à disposição das autoridades competentes durante toda a investigação e da imprensa para os esclarecimentos que possam ser legitimamente divulgados." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.